Atualmente não se confunde mais como outrora o ser humano, com os demais seres que integram e constituem a natureza. O homem é personalidade, que constitui ser indelevelmente distinta dos demais elementos integrantes do planeta, animados ou inanimados, considerados coisa e juridicamente submetidos ao Direito das Coisas. Daí decorre que o tratamento no que tange ao homem, sua integridade física e moral, seus elementos físicos constitutivos, de ordem biológica que no todo, promovem a vida humana são dispensados de modo distinto e forma especial que as coisas. Protege-se a vida. Mas não somente a vida é tutelada, pois isoladamente, a vida humana não existe. Protegem-se todos os elementos indispensáveis à existência física do ser humano. Não se desassocia a vida integral dos seus elementos que a constituem, e por tudo já exposto, com expressas condições normativas na Magna Lei, a vida digna está prevista para ser protegida no todo de suas partes integrantes, notadamente como se observa dos princípios inseridos no próprio texto constitucional. Leia mais »
O dia em que o homem entender melhor a química da mulher, seu fim biológico, a força do instinto materno, o amor materno, seu grau de sensibilidade e a interdependência que gera mãe/filho/marido ou similar, possivelmente a entenderá melhor. Vendo uma entrevista com Chico Buarque me fez pensar sobre esta viagem tão delicada, gostosa, incógnita e pela beira do abismo que é a sensibilidade feminina. Referindo-me ao abismo pela complexidade do assunto, onde muitas vezes no “subjetivo é a morada do objetivo”. O Chico demonstrou ser um homem que entendeu as mulheres, sua sensibilidade e consegue transmitir isso muito bem no seu poético e no musical, mas mesmo com seu vasto acadêmico “patinou” para explicar sob o interrogatório da repórter.
Esta palavra simples, ao que sei só existe em português, traz de dentro sempre uma recordação boa, uma coisa que marcou e que gostamos de lembrar, mesmo com as lágrimas regando o rosto. Oh que saudade! Quer emoção mais forte que isso? Saudade, uma lembrança gostosa! Ela concretiza o espaço vazio! Traz o longe para perto; o abstrato não existe, tudo é concreto! Surrealismo? Sonho? Viagem? Talvez! Não importa o que seja, o que importa é que ela transcende e é capaz de reverter o tempo! Saudade da querência, dos idos tempos, da mãe, do pai, do que estimamos, da “cara metade”, da porteira onde o cão nos recebia sorrindo, dos momentos… Leia mais »
Acordo, levanto, abro portas e janelas, preparo meu café, sento à mesa, a emoção me envolve neste instante, que me pego a observar o meu entorno. Sorrio e a primeira sensação é de estar dentro de um grande berço e alguém começa a me embalar. Meu Deus! O silencio! Que lindo! Que bom é ouvir o barulho da natureza! Um casal de papagaios tagarelando cruza sob o céu azul. As cigarras e cigarrinhas cantam, chiam no meu jardim. A cachoeira deslizamansamente ao meu lado. O mar no seu chuáaa, chuáaaa, avisa-me de mansinho que está aos meus pés. Uma brisa, livre, leve e solta refresca os meus pulmões. Leia mais »
A vós menino, rei das ondas de Lopes Mendes.. onde estarás?
Alteza que navegou neste mar de além
Uma vez sonhei neste mar… Neste paraíso
Grande beleza jovem, que pereceu na flor da idade
Uma vez lembrei, na poesia da grandeza de você
Senhor das ondas… Menino que partiu
Tua lembrança, estará retratada nesta ilha
Onde o sonho dos jovens nasce, … Leia mais »
Subo pela segunda vez à torre (dos Clérigos). A primeira foi há muitos anos com meu pai. Lá, no andar mais alto, no sino maior, ele escreveu, em vermelho, os nossos nomes. Escreveu… ou disseram-me que ele escreveu, ou eu sonhei que ele escreveu (ou eu quis muito que ele tivesse escrito).
Porto que me lembra pai, lembra frio e broa. Lembra cozinha da avó com cafeteira de cevada ao lume.
Porto, meu “pequeno” Porto, da Praça dos Poveiros e Jardim de São Lázaro, onde eu prendia folhas secas apanhadas do chão, com palitos de fósforos, formando coroas que punha na cabeça e pendurava ao pescoço, desfilando feito herói de mim mesmo. Leia mais »
Em Breves, Ilha de Marajó, hospedo-me em casa de Dona Raimunda. Ao me verem chegar, crianças seminuas rodeiam-me curiosas. Retiro a mochila das costas e coloco-a no chão. Sem saber o que fazer, ante tão expectante e silenciosa plateia, abro uma das bolsas ao acaso. Mil olhos convergem, arregalados. Alguns minutos depois desfaço o impasse que se começava a criar: abro e esvazio todas as bolsas da mochila e convido-as a examinarem tudo o que transporto. Pelo canto do olho vejo-as passar de leve o indicador na máquina fotográfica, nos livros e em um ou outro objeto. Leia mais »
Caminhando de madrugada, à luz da lua cheia na Praia do Leste, ouço os longínquos guinchos dos bugios vindos das matas de Parnaióca. Horas depois, no Aventureiro, um pescador assustado me conta que, dois anos atrás, um “gringo” soltou uma onça nas matas. Enquanto ele pensa em se mudar para o continente, eu penso nas artimanhas da especulação imobiliária.
Em Provetá meninos brincam de bola de gude e pião, a maria farinha brinca de esconde-esconde comigo quando tento retê-la na máquina fotográfica, enquanto as meninas tomam banho de mar vestidas da cabeça aos pés, e brincam de fazer bolas de areia que viram e reviram de uma mão para a outra, embalando-as feito bebês. Tudo ao som de músicas evangélicas que penetram todos os espaços da pequena vila.
O último alarme de partida tocou. O Grande, com capacidade para mais de duzentas pessoas se prepara para sair. O destino será alcançado em um pouco mais de uma hora. A embarcação relativamente vazia carrega pessoas que voltam de suas missões.
De forma geral, todos estão a passeio pois o trajeto a ser percorrido além de extenso, é de extrema exuberância.
O Grande despede-se do continente, estamos todos indo para casa. O dia está ameno, a cidade vista do mar parece silenciosa e inerte. Já foge da memória a sensação de estar correndo contra o tempo pelas ruas com o caos que a rotina impõe.
Cada um curte a viagem de uma forma, seja com um simples bate-papo ou então a conferência dos pertences. Uns descansam e outros apenas observam a paisagem e deixam o tempo passar. Leia mais »
Gurupá, Baixo Amazonas. Aqui, todas aspessoas, ou quase, se chamam Benedito.Para que se possa saber de quem se fala, as pessoas são referenciadas pela profissão (Benedito padeiro),
pelo lugaronde moram (Benedito da caixa d’água), ou até por alguma particularidade física (Benedito do braço comprido).
Seu Benedito, o velho, fala-me do forte de Santo Antônio (que todos chamam de forte de São Benedito),
da igreja que, para não me tornar repetitivo, não mencionarei em louvor de quem foi erigida,
e de mil e outras coisas que meus ouvidos não têm capacidade plena de absorver,
tudo com a voz pausada de quem tem todo o tempo do mundo para contar histórias.