SAUDADE

Esta palavra simples, ao que sei só existe em português, traz de dentro sempre uma recordação boa, uma coisa que marcou e que gostamos de lembrar, mesmo com as lágrimas regando o rosto. Oh que saudade! Quer emoção mais forte que isso? Saudade, uma lembrança gostosa! Ela concretiza o espaço vazio! Traz o longe para perto; o abstrato não existe, tudo é concreto! Surrealismo? Sonho? Viagem? Talvez! Não importa o que seja, o que importa é que ela transcende e é capaz de reverter o tempo! Saudade da querência, dos idos tempos, da mãe, do pai, do que estimamos, da “cara metade”, da porteira onde o cão nos recebia sorrindo, dos momentos… Leia mais »

O Negacionismo de Fukushima


Por Cinthia Heanna 

Enquanto o mundo se mobilizava em respeito às vítimas de Fukushima e em alerta sobre os pós-efeitos do desastre nuclear, um grupo pró-Angra III manifestava sua posição no Cais Santa Luzia, às margens do evento angrense consonante com a iniciativa mundial para a “corrente humana”.
Distribuindo panfletos defendendo a energia nuclear, o movimento liderado por trabalhadores das usinas nucleares e organismos ligados à sua propagação defendiam que a tecnologia é limpa, expressando sua homenagem aos trabalhadores de Fukushima e afirmando que “não houve vítimas da radiação” no Japão.
Por dias ponderei sobre a melhor forma de responder às alegações, em especial sobre a “ausência de vítimas” e o uso desse argumento para a promoção da energia nuclear. Relevado o meu asco pela própria perversidade da argumentação, pensei em explicitar todos os fatos sobre o acidente, e expor a situação real das áreas próximas a Fukushima Daiichi atualmente, um ano após a tragédia, onde milhares perderam seus lares que tiveram de abandonar, sem nada levar consigo. Pensei em relembrar as mães, em cujo leite materno foi encontrado radiação; ou as crianças nas quais detectaram contaminação nas urinas. Pensei em explorar o sentimento humano, na tentativa de traduzir em palavras o sofrimento das centenas de pessoas afetadas pelo descontrole das plantas nucleares, que sofrem com a falta de informações dos órgãos oficiais e permanecem na incerteza sobre o que a radiação poderá causar a eles próprios e às suas famílias no futuro, conscientes de que reações como câncer somente serão percebidas a longo prazo. Leia mais »

Pós-Fukushima: lições aprendidas geram Plano de Resposta da Eletrobras Eletronuclear

Gloria Alvarez (Coordenadora), Juliana Rezende,  Fábio Aranha

Logo após o terremoto e o tsunami que ocorreram no Japão, ano passado, ocasionando um acidente nuclear na Central de Fukushima Daiichi, a Eletrobras Eletronuclear criou um comitê gerencial a fim de elaborar um plano de ações para reavaliar a segurança das usinas da Central Nuclear Almirante Alvaro Alberto. O Plano de Resposta à Fukushima da Eletronuclear engloba 30 estudos e 28 projetos, a serem desenvolvidos no período de 2011 a 2015, com investimentos estimados em cerca de R$ 300 milhões.  
O documento foi produzido a partir de informações do relatório preliminar encaminhado, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com a avaliação do acidente e, ainda, de observações da indústria nuclear mundial. [...]
Além da elaboração do Plano, atendendo à solicitação da CNEN, a Eletronuclear está estendendo seus estudos para a elaboração de um  Relatório de Reavaliação de Segurança das Usinas Angra 1 e Angra 2, em conformidade com especificação da WENRA – associação de organismos reguladores nucleares da Europa para a realização dos relatórios de avaliação de resistência. Este relatório deverá estar concluído até o final deste mês (março) para envio à CNEN e será avaliado por especialistas do Foro Iberoamericano de Organismos Reguladores Nucleares[...]. Já a conclusão da reavaliação de segurança de Angra 3 está prevista para o mês de junho. Leia mais »

Zoneamento da APA Tamoios

Dia 22 de março no auditório do Teatro Municipal, por razões divergentes entre o Conselho e o INEA, discutiu-se novamente o zoneamento da APA Tamoios. Embora cansativa e desgastante, a discussão foi proveitosa, face aos esclarecimentos que deram luz sobre a escuridão do impasse.
Foi uma reunião de muitos desconfortos, começando pelo minúsculo auditório: muita gente em pé e sem nenhum apoio de som. O Sr. Ricardo Toledo, administrador da APA e dirigente desta reunião, com louvável esforço se saiu bem, mas teve dificuldades para equacionar a questão. Esse mal-estar causado pela deficiência estrutural/logística para reunião deveu-se à Prefeitura, anfitriã do fórum, que, por razões desconhecidas, não soube evitar tal desconforto.
Iniciou-se pela leitura do já elaborado zoneamento, para dar conhecimento a todos e dirimir possíveis dúvidas. Entretanto, houve protesto, alegando não ser necessário por já ter sido acordado, bem como ter tido vistas do advogado do INEA. O Presidente da Câmara dos Vereadores Sr José Antonio contestou, alegando que palavras dependem de interpretação e é nesta interpretação que tudo pode mudar. Sintetizando: uma palavra que dê margem à outra interpretação poderá ser o paraíso dos advogados. Portanto, procedeu-se à leitura ponto a ponto, sempre entre troca de farpas e contestações, nem sempre adequadas. Mas chegou-se ao fim da exaustiva leitura, de certa forma, mais harmônico do que o esperado. Leia mais »

Navegar é preciso…

Por Pedro Paulo Vieira 

Durante o Carnaval 2012 a Vila do Abraão estava fervilhando de gente. Os taxi-boats indo e vindo de diversos recantos turísticos nos arredores eram indicativos de que o final de semana seria animado. A economia local da Ilha Grande em ebulição e agradecendo aos bares, restaurantes e pousadas sempre cheios. Tudo pronto pra folia!
Eu também estava lá entre eles, mas não como turista e tão pouco “pé-sujo”. Num estado de espírito operacional, saí com uma equipe de campo da Ditakotená pra visitar o Abraão, Lopes Mendes e Dois Rios no sábado e domingo de Carnaval.
Eu sei que moro no continente, mas como visitante tenho noção de meus direitos e deveres. Temos que convir que a situação de fundeio de embarcações de passeio na frente da Ilha Grande está caótica (foto ao lado). É só chegar embarcado e ter que fundear para perceber que está faltando monitoramento e organização das poitas e que em feriados como este o número de embarcações paradas na frente da ilha é muito maior do que o razoável. Leia mais »

Seja a mudança do mar – Valerie Cleland

 
 
 
 
 
 

I’m Valerie, a new intern at Rising Green, and I’m an environmentalist. The word “environmentalist” may conjure up images of people in hemp clothing and long hair, hugging trees and listening to soundtracks of bird songs. While I admit I Leia mais »

Governar o Brasil!

 

Sempre me pergunto: como seria governar o Brasil, um país onde todos querem “meter o bico” em proveito próprio ou dos comparsas?
Este Brasil, um país com centenas de etnias, em sua maioria sob a ardência gostosa do sol tropical, oito mil quilômetros de costa atlântica para se refrescar, “que dá vontade de não fazer nada e tocar viola de papo pro ar o tempo todo”. Democracia plena; leis de proteção ao cidadão em tanta abundância que a polícia praticamente não tem poder para prender ninguém; drogado protegido tanto no lícito quanto no ilícito; traficantes com suposta parte do poder público comendo na mão deles, em nome de sustentar o consumo do drogado porque é dependente; partidos políticos ansiosos feito lobos famintos para abocanhar mais um ministério, pois é de onde se supõe que venha o grosso da “bufunfa”. Poderes independentes querendo ter aumentos astronômicos constantemente; um Congresso cujo calor tropical do planalto o torna enfermo para a produtividade e, por outro lado, nunca se sabe quem é o inimigo; um Judiciário onde o óbvio é tema bem discutível e será elucidado por 5 a 4, porque dois não estiveram presentes; uma Constituição que, apesar de ser a melhor do mundo, também é a maior e mais complicada que a Bíblia para determinar o que é constitucional e o que não é e as licitações maculadas mafiosamente. Leia mais »

SOS ILHA GRANDE

 

PLANO DE MANEJO E ZONEAMENTO DA APA DE TAMOIOS

O Conselho Consultivo da APA (Área de Proteção Ambiental) foi criado para que a sociedade civil se manifeste junto à instituição estadual INEA, a fim de fornecer ao governo o subsídio da comunidade sobre o que considera possível e viável dentro do espaço da APA.
O Conselho é constituído por Universidades Estaduais e Federais, técnicos de diversas áreas (biólogos, engenheiros, turismólogos, advogados), Prefeitura, o próprio INEA, além de representantes de comunidades da Ilha Grande.
Após exaustivas reuniões e anos de trabalho, o Conselho, com a presença do INEA e da Prefeitura, concluiu e aprovou por consenso em 2011 o zoneamento para preservar a Ilha. Essa decisão foi registrada em ata e assinada por todos, não havendo mais o que se discutir. Ficara pendente apenas a assinatura do governador.
As discussões haviam sido pautadas pelo bom senso sobre o que deveria ser restringido. Cedemos onde havia conflito de legislação em favor dos moradores, como no caso do requisito do tamanho do terreno para construções. Onde poderia ser protegido pela pouca densidade demográfica, restringimos com o congelamento da área – e essas áreas são exatamente para as quais o Estado (INEA) propõe grandes empreendimentos hoteleiros, expandindo para nove ZITs (Zonas de Interesse Turístico). Leia mais »

Pace University – NY visita a Ilha Grande novamente

 

No dia dez de março foi realizada uma palestra na sede do jornal O Eco sobre o histórico cultural da Ilha Grande para a PACE UNIVERSITY – NY (EUA), ministrada pelo diretor do jornal, Nelson Palma, e coadjuvada por Karen Garcia e Luiz Schulze.
A universidade administra um site sobre locais de turismo dedicados à proteção ambiental, bem à nossa característica. Um selo de qualidade é concedido aos estabelecimentos turísticos que melhor se destacam, e após um ano é realizada uma reavaliação. Esta já é a quinta vez que visitam a Ilha.
O grupo é composto por Claudia Green, PhD responsável pela turma, professor Casey Frid, o guia AMBRATUR Luiz Schulze, e 26 alunos de diversos cursos. Leia mais »

Sociedade truculenta

 

Princípio da matilha: na matilha, especialmente de cães ferais, rosnam uns para os outros o tempo todo, mas as agressões não passam de “um cala-boca”. Entretanto, no momento que um desavisado cãozinho estranho à matilha chega ao seu alcance, imediatamente se unem, as diferenças entre si acabam e o estraçalham, mas é um comportamento canino determinado por seu instinto de defesa do território para sua sobrevivência. Entendem que faz parte de sua sustentabilidade. Aceitável por serem cães! Entretanto, quando uma comunidade humana, povoado, cidade, estado ou país, resmunga ou esbraveja ao invés de falar suave e resolver as diferenças, sua “sustentabilidade será insustentável”.
Nós temos que ser seres polidos. Um ser polido é um ser civilizado. No mínimo temos que dizer bom dia, pedir licença, pedir desculpa, perdoar e eu te ajudo. Palavrinhas por demais conhecidas, mas de pouco uso. Estas palavras não se encaixam com o truculento. Leia mais »