Editorial: Como não se perder na Ilha Grande

SÁTIRA

Nos últimos tempos, aumentou o número de turistas que se perdem nas trilhas da Ilha Grande. Atribuo ao aumento de inconsequentes no mundo, pois perder-se na Ilha é tema de sátira, pois não vejo razão para isto. A Ilha é uma cordilheira em forma de um teto, se acompanhar qualquer riacho, com no máximo três km, chega-se ao mar por um lado ou pelo outro, onde há trilhas que rapidamente o conduzem a um vilarejo. Nesta semana um turista ocasionou, por inconsequência, vários dias de buscas com helicóptero e pessoas especializadas. Um enorme trabalho para o Parque, Bombeiros e Policia.

“Como não se perder”:

1 – fazer um exame médico verificando se as faculdades mentais podem distinguir o norte e o sul; se consegue entender que a água corre para baixo, ser capaz de entender o “não pode ir” quando assim lhe é informado.

2 – contratar um guia, ele sabe o que pode e o que não pode.

3- ser prudente e respeitar os fenômenos da natureza (chuva, tempestade, frio, calor e escuridão).

Eu nasci na selva, me criei na selva, conheço muito bem a Amazônia, contudo me nego a fazer trilhas à noite.

O índio ao escurecer não dá mais um passo, ele para, se nega caminhar a noite. Ele conhece o risco e é prudente.

Sem observar nada disso e se julgando um super-homem, vem um urbanoide da Europa e vai ao Pico do Papagaio sabendo que a noite o alcançaria na trilha. Foi mais que avisado de sua imprudência, mas foi, para desafiar seu potencial! Perdeu-se!!!

Encontrado com esforço sobre-humano, após vários dias de buscas, mais ralado que salada de cenoura, pelos espinhos, escorregadas, mordido pelas formigas e ardido pelas ortigas. Os espinhos dos arranha-gatos fizeram a festa nele. Mas atingiu seu objetivo: dar trabalho, produzir pânico na família, nos moradores, preocupação na embaixada e um enorme trabalho para as instituições de salvamento. Declarou em seu depoimento que a sinalização é precária! Mas de que adianta sinalização, para um indivíduo que não consegue perceber o que é para cima e o que é para baixo? Ou, que sua imprudência não consegue definir o risco?  Suponho que em seu destorcido conceito, agora estará voltando para a Europa como super-herói salvo na selva. “Eu o chamaria de Tarzan falido e se não fosse a Jane (instituições) nas buscas de salvamento, teria se tornado estudo arqueológico no futuro – para saber como um neanderthal veio parar na Ilha Grande em 2017”.

Caro leitor, você deve achar um exagero a forma como estou satirizando o fato, mas não há outra maneira, pois sempre escrevemos de forma persuasiva, educativa com recomendações usando toda a suavidade da persuasão, mas nunca teve efeito, continuam se perdendo. Agora vamos tentar pelo choque, satirizando seu ego, e aterrorizando seu psique, para ver se a conduta muda. Este tipo de turista custa muito caro ao estado, ao emocional dos envolvidos, depõe contra o bom turismo e ao seu próprio país. Sugiro às pousadas fixarem este editorial em suas informações, como campanha de alerta para o risco que correm os urbanoides imprudentes.

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