As brigadistas da Ilha Grande

O desenvolvimento do empoderamento feminino nas atividades da Brigada Mirim Ecológica

Por Karen Garcia

Fotos: Bruno Poppe

De manhã cedo, andando pelas ruas da Vila do Abraão, vejo jovens uniformizados seguindo um caminho comum. Os semblantes me intrigam. Percebo uma imensidão de sonhos, disposição e vontade, afinal, é a juventude de meninos e meninas que vestem a camisa de brigadistas da Ilha Grande. Interessada na dinâmica da organização, fui conhecer de perto quem faz essa história acontecer.

Ao chegar na sede da Brigada Mirim Ecológica da Ilha Grande, observo os jovens organizando os equipamentos e cuidando das ferramentas de manejo de coquilles e algas marinhas. Fundada em 1989, a Brigada, como é carinhosamente conhecida pelos integrantes e amigos, tem como missão promover a preservação sustentável do ambiente natural da Ilha Grande, contribuir para o desenvolvimento social da comunidade local e assegurar o pleno exercício da cidadania pelos jovens participantes.

“Ser brigadista é cuidar da Ilha, estar disposto a conhecer e preservar a natureza. Estar aberto a aprender e trabalhar em equipe”, comenta Quézia da Silva, de 15 anos. A jovem, que vive na Ilha há 8 anos, conta que só foi conhecer algumas praias após o ingresso na Brigada, no ano de 2017.

Os jovens se dedicam durante três horas diárias, no contra turno escolar, em atividades de cunho educativo, social e ambiental. Além da Vila do Abraão, as comunidades de Palmas, Bananal, Saco do Céu, Dois Rios, Matariz e Praia da Longa também possuem brigadistas.

Adriele, de 15 anos, que conheceu a brigada através dos amigos da escola, conta sobre os aprendizados que tem na organização. “No início eu não queria, porque eu não conseguia acordar cedo. Agora eu acostumei e faz parte da minha vida. Aprendo muito, não só sobre coquile, mas sobre cuidar mais da natureza e ajudar um ao outro”, declara.

Lara teve exemplo em casa. Sua mãe e primos também foram brigadistas. A jovem lembra que tinha muita curiosidade sobre as histórias contadas pelos familiares até que chegara sua vez. Integrando a BMEIG há dois anos, ela é uma das meninas que está mais tempo na instituição. “No começo era só eu e a Jordana. Com o passar do tempo foram entrando mais meninas. O que é muito bom porque a gente tem mais abertura para conversar”, comenta.

O equilíbrio de gênero é uma preocupação da coordenação. Atualmente, a BMEIG conta com 42 brigadistas de idade entre 14 e 17 anos. Desse montante, 38% são meninas. A instituição acredita na importância de oferecer as mesmas oportunidades para todos. “A percepção da diretoria da BMEIG é que meninas e meninos possuam as mesmas oportunidades oferecidas pela instituição. Por conta disso, buscamos um equilíbrio de gênero entre o número de brigadistas”, afirma Pedro Paulo Vieira, diretor da BMEIG.

A diversidade e integração é um ponto importante no grupo. O coordenador local, Ulisses Vasconcelos, conta que o rendimento nos trabalhos aumentou após o ingresso das meninas. “As atividades que desenvolvemos são multidisciplinares e permitem a integração de brigadistas com diversos níveis de conhecimento. Quem está há mais tempo, orienta quem chegou mais recentemente. E quem está a menos tempo, traz uma visão arejada sobre o trabalho que é desenvolvido” comenta.

Para conhecer mais sobre o trabalho da Brigada Mirim Ecológica da Ilha Grande, acesse:

www.brigadamirim.org.br

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