Choque de aves em vidros

Lauro Eduardo Bacca, (adaptado do original no Jornal de Santa Catarina de 30/11/17 para OECOJornal de Ilha Grande)

Não é fácil ser ave silvestre no mundo moderno. Não bastasse a destruição dos ambientes naturais, a perseguição pela caça ou captura de adultos e filhotes, a poluição, as queimadas, os agrotóxicos, ainda tem a questão do choque das nossas amigas penadas em voo contra estruturas humanas.

Nos Estados Unidos, choques contra veículos em movimento matam de 60 a 80 milhões de aves por ano; já as batidas contra redes elétricas dizimam de dezenas de milhares a 174 milhões de aves enquanto as torres de comunicação causam mais 4 a 50 milhões de óbitos aviários anuais. Sem contar os choques contra as pás de aerogeradores, cada vez mais numerosos. Os campeões da carnificina ornitológica, porém, são os choques de aves contra edifícios e janelas que matam de 98 a 980 milhões de aves nos EUA por ano.

Os números são aparentemente discrepantes devido à grande margem de erro das estatísticas, em função da coleta de dados confiáveis. Seja como for, a carnificina é assustadora e no Brasil não será diferente.

Quanto mais superfícies espelhadas nas estruturas construídas pelo homem, mais mortes de aves, isso sem contar com os não bem vindos muros de vidro que estão se tornando cada vez mais comuns por aí. Recentemente constatei três passarinhos mortos na calçada de uma residência, diante de um muro de vidro. O que pode então ser feito?

Residindo junto à floresta atlântica, percebi que as usuais silhuetas de aves aplicadas nos vidros de portas e janelas pouco estavam resolvendo. A gota d’água foi quando ocorreu a morte de um tucaniço (espécie mais rara que o tucano na minha região) seguida da morte de uma pomba silvestre poucos dias depois. Ambas as aves chocaram-se a apenas 12 e 14 cm de distância no meio de duas grandes silhuetas de gaviões que, em tese, foram ali fixados exatamente para evitar esse tipo de choque.

Tentei várias alternativas para resolver o problema, até que a Associação Catarinense de Preservação da Natureza – Acaprena divulgou um detalhado estudo bem ilustrado, feito na Costa Rica, de como evitar choques de aves contra vidraças.

Depois de estudar as opções, imediatamente retirei a maioria das pouco eficientes silhuetas das minhas janelas e portas de vidro e optei, para o meu caso, por cordões de contas tipo “pérolas”, fáceis de encontrar no mercado de aviamentos, pendurados 8 cm um do outro do lado de fora das janelas.  Foi uma solução simples, barata, esteticamente aceitável e o principal, não prejudica a visão de dentro para fora, que recomendo a todos por que deu certo. O problema foi resolvido e praticamente não morrem mais aves em choque contra os vidros.

Aos que desejarem saber mais, recomendo fortemente os sítios eletrônicos https://www.facebook.com/acaprena/posts/892589934240011 ou https://avesyventanascostarica.wordpress.com/soluciones/, fartamente ilustrados e de fácil entendimento.

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